Polícia faz revista em acampamento antes de ato anti-Dilma no gramado do Congresso
Protesto reúne duas mil pessoas em Brasília neste domingo (15/11) em ato anti-Dilma. Integrantes de movimentos foram presos
Os ânimos esquentaram no ato anti-Dilma no gramado do Congresso Nacional. No início da tarde deste domingo (15/11), alguns manifestantes tentaram invadir o espelho d´água e os policiais usaram gás de pimenta e cacetes para contê-los. Houve um princípio de confusão e o Batalhão de Choque foi chamado. Pessoas foram presas. O protesto reúne cerca de duas mil pessoas (segundo a PM) em defesa do impeachment da presidente Dilma Rousseff e da saída do presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB).
Veja vídeo no momento da confusão:
O protesto deveria ficar restrito ao gramado, onde integrantes do Movimento Brasil Livre (MBL) e do Revoltados On line estão acampados há mais de um mês. No início da manhã, agentes da Polícia Federal Legislativa fizeram uma varredura nas barracas e recolheram material que poderiam servir de arma, como hastes de bandeira e facas de cozinha.
Nilton Caccaos, do movimento Avança Brasil, afirma que a revista é normal. “Sabemos que é por nossa segurança. Queremos um ato pacífico. Mas nossa intenção é entrar no Congresso, nem que seja de forma simbólica”. Eles aguardam cinco mil manifestantes.
Mais cedo, crianças entregaram flores aos policiais, indicando que a manifestação poderia transcorrer sem confronto. Mas não foi isso o que ocorreu.

Além de Brasília, há atos programados para outras capitais do País, mas a expectativa é de uma adesão bem menor em relação aos protestos anteriores – em março, abril e agosto -, no momento em que a investida pelo impedimento da presidente sofre um refluxo nas instâncias formais e as atenções se voltam para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), acusado de envolvimento no esquema de corrupção investigado pela Operação Lava Jato. O peemedebista, no entanto, não deverá ser o foco dos manifestantes, que preferem manter a pauta do impeachment de Dilma.
De acordo com Renan Santos, um dos líderes do MBL, a estratégia agora é a realização de ações pontuais. “Nós fizemos as três maiores manifestações do Brasil. Não precisamos fazer uma quarta para mostrar que as pessoas estão indignadas”, disse. “O que precisamos é de pressão direta sobre os parlamentares. Não é uma mudança de intensidade. É de natureza mesmo.”
O ato em Brasília vai contar com dois trios elétricos. Um boneco inflável que faz alusão à presidente será levado para o local. Segundo a porta-voz da Aliança Nacional dos Movimentos Democráticos, Carla Zambelli, líderes de outros grupos anti-Dilma e organizadores da greve dos caminhoneiros vão participar do protesto.
As primas Elizabeth Pinheiros, de 58 anos, e Diana Pinheiro, 62, vieram de Fortaleza (CE) para a manifestação. Para elas, é preciso mudança. “Esse sistema político é insustentável. Não dá para os políticos viverem de mordomias enquanto o povo sofre. Não somos a favor do regime militar, mas as alternativas democráticas estão se esgotando”, diz Elizabeth. “Estou realizando um sonho de lutar pelo meu país e pelo futuro dos meus netos”, completa Diana.
De acordo Jailton Almeida, porta-voz do Vem Pra Rua, o movimento pretende colher assinaturas de apoio ao projeto do Ministério Público Federal com 10 medidas de combate à corrupção. A ideia, explica Almeida, é recolher 1,5 milhão de apoiamentos, para apresentar a proposta como projeto de iniciativa popular. Até o momento, ele afirma que já foram colhidas 600 mil assinaturas.

Manifestantes se preparam para o protesto
Acampamento
Apesar de ter autorização do presidente da Câmara dos Deputados, o acampamento contraria ato do Congresso Nacional de agosto de 2001, que proíbe montagem de tendas ou similares no gramado em frente aos prédios das duas casas legislativas.
Apesar de ter autorização do presidente da Câmara dos Deputados, o acampamento contraria ato do Congresso Nacional de agosto de 2001, que proíbe montagem de tendas ou similares no gramado em frente aos prédios das duas casas legislativas.
Na sexta-feira (13), a Polícia Militar apreendeu uma pistola 380 e armas brancas no carro de um policial militar reformado que estava no acampamento. Ele foi levado para a 5ª Delegacia de Polícia Civil (área central). O episódio levou o líder do PT na Câmara, Sibá Machado, a pedir ao Ministério da Justiça e ao governo do Distrito Federal que acionem as polícias Federal e Civil para investigar a atuação dos movimentos que estão acampados no local.
Também na sexta, houve um princípio de confusão e troca de ameaças entre um grupo que defende a intervenção militar no País e membros da Juventude Socialista Brasileira (JBS). A JBS e outros movimentos como a UNE e CUT promoveram passeatas em defesa do mandato de Dilma e pedindo a saída de Cunha da presidência da Câmara.
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